Com o início, na última segunda-feira, do período de notificação para os contratos com vencimento em setembro próximo na ICE Futures US em Nova Iorque, muitos operadores contavam com um ou dois pregões em baixa esta semana, como resultado de venda de posições de fundos de investimentos para realização de lucros. O que não se esperava era uma queda de 1480 pontos em um único pregão, como aconteceu na terça-feira, dia 24. A divulgação neste dia de dados negativos da indústria de construções e da economia nos EUA derrubou as bolsas ao redor do mundo e coincidiu com o movimento de venda de posições dos fundos no pregão de café da ICE em Nova Iorque. A pressão dobrada acabou forçando as linhas de suporte na bolsa de Nova Iorque e acionando ordens automáticas de venda, levando ao fechamento com 1480 pontos de baixa.
A forte queda desorientou os operadores, que levaram algum tempo para se recuperar do susto. Ontem, quinta-feira, as cotações em Nova Iorque voltaram a fechar em alta, de 580 pontos, fechando hoje com mais 645 pontos. Os fundamentos, com os baixos estoques mundiais (e também dos cafés certificados nas bolsas de futuro), além dos problemas sofridos com a atual safra brasileira, estão tornando as pressões baixistas cada vez mais arriscadas.
Já se ouve alguns comentários preocupados com o clima excessivamente quente e seco para esta época do ano. Em nossa opinião ainda é cedo para se analisar o que acontecerá na próxima safra brasileira. Por enquanto, o que se pode afirmar devido às características de nossa produção, é que ela será menor que a atual. As chuvas normalmente chegam às regiões produtoras a partir da segunda quinzena de setembro, o que costuma ser positivo como um todo para a cafeicultura brasileira. O tempo seco contribui com a colheita e a qualidade da safra que está sendo colhida e não estimula a floração precoce. Se o clima, anormalmente quente e seco, destes meses de julho e agosto, irá prejudicar a próxima safra, só saberemos mais tarde.
Os preços atuais refletem a dificuldade do mercado para se abastecer dentro do quadro atual. Lembramos que mesmo que não venham a ocorrer problemas com a produção do próximo ano, ela será menor do que as necessidades anuais brasileiras para a exportação e consumo. Portanto, em nossa opinião, teremos um longo período de oferta apertada em razão do precário equilíbrio entre produção e demanda (e a demanda cresce ano após ano). Com estoques baixos, praticamente zerados, fica difícil de prever o que acontecerá com os preços se viermos a ter quebra importante na próxima safra 2011/2012.
Até o dia 26, os embarques de agosto estavam em 1.598.019 sacas de arábica e 93.360 sacas de conillon, somando 1.691.379 sacas de café verde, mais 142.384 sacas de solúvel, contra 1.597.668 sacas no mesmo dia do mês anterior. Até o dia 26, os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque em agosto totalizavam 2.753.632 sacas, contra 2.178.770 sacas no mesmo dia do mês anterior.
A bolsa de Nova Iorque – ICE, do fechamento do dia 20, sexta-feira, até o fechamento de hoje, sexta-feira, dia 27, caiu nos contratos para entrega em dezembro próximo, 620 pontos ou US$ 8,20 (R$ 14,37) por saca. Em reais por saca, as cotações para entrega em dezembro próximo na ICE fecharam no dia 20, a R$ 430,58/saca e hoje, dia 27, a R$ 414,73/saca. Hoje, sexta-feira, nos contratos para entrega em dezembro, a bolsa de Nova Iorque fechou com alta de 645 pontos.